domingo, 27 de janeiro de 2008

no apagar das luzes.

Antes de tudo.

Pus-me a refletir os motivos de escrever sobre coisas que não entendo e que compreendo que tenho poucos meios de me informar. Não posso assistir um jogo, não posso tampouco conversar com torcedores numa arquibancada enquanto como amendoim. Que legitimidade tenho eu de opinar sobre a vida de quem esta sendo diretamente afetado pelos resultados mostrados aleatoriamente num placar, seja de madeira, seja eletrônico? Sinto-me isolado, completamente mudo pois quando grito, de raiva ou de amor, não existe ressonância. De toda maneira eu grito; é simplesmente incontornavel o espasmo ocasionado pelo grito do narrador, tão distante.


Normalmente o futebol é algo que toca mas de certa forma se manifesta de forma distante, é compreensivel algumas horas de luto apos uma derrota decepcionante, mas logo isso se esvai e a vida volta a seguir. Mas e quando esta derrota provoca reações no mundo real? No dia a dia? Pra quem acompanha futebol é normal observar a saida e a entrada de treinadores de equipes que atravessam crises, mas e quando o nome que cai deixa de ser um nome de um profissional e se transforma no nome do seu pai? De certa forma deixa de ser um nome, algo impessoal, passa a ser algo mais forte, mais marcante. Daqui tentei entender o ar que se respirava no Estrela D'alva. Impossivel. Por isso me abstenho de comentarios e juizos de valor que serão, sem duvidas, baseados na opinião de intermediarios. Uso a internet como um bom radinho de pilha e me esforço para entender o que se passa entre as quatro linhas, consigo compreender alguns momentos do futebol que esta sendo jogado em Bagé e somado-se os comentarios e discussoes acaloradas de foruns de torcedores, às vezes me sinto sentado proximo ao alambrado do Magalhães Rossel, no entanto tudo isto é nebuloso demais, é intangivel. Entender o que se passa ao lado das linhas é trabalho demais, talvez seja doloroso demais então prefiro me restringir ao circulo central.

No apagar das luzes o Internacional de Santa Maria jogou mais terra no buraco do Guarany.

Makaeh

Um comentário:

Neila Ribeiro disse...

Futebol e coração, uma mistura que se movimentava no escuro.
Estava correndo nas veias? Deu certo, me emocionou, me surpreendeu.
e me deixa mais uma vez orgulhosa e feliz, por você e pelo tratamento
digno, que enfim, acredito passará a ter o nosso sofrido e verdadeiro
personagem do teu carinho, o futebol.